A robótica sem mistérios
Maria Laura Dozza Messagi Quando o engenheiro civil Maurício Fraletti pensou em colaborar de forma participativa na educação de seu filho, imaginou um programa que pudesse reavivar a criatividade e o prazer das crianças pelo ensino. Então, em parceria com a Lego, o engenheiro criou o curso de "Robótica sem mistérios" há dois anos. Através da criação de robôs e afins, são transmitidos conhecimentos das mais diversas áreas, além de processos organizacionais para o desenvolvimento de projetos, incentivando a solidariedade e o trabalho em equipe, desafiando a capacidade para a resolução de um mesmo problema por diversas vias. Os participantes interagem e fazem amizades enquanto aprendem. No final do projeto, tudo é documentado pelo grupo e cada um expõe suas opiniões. Depois de todo o processo, os participantes desenvolvem conhecimento e capacidades para analisar e resolver problemas, criando experiências e situações que os habilitem a abordar novos assuntos com confiança e criatividade. O robô é criado a partir da imaginação coletiva do grupo de alunos com o intuito de saber realizar algum desafio, executado com perfeição e cooperação dentro das melhores técnicas de gestão de projetos, no menor tempo possível, e utilizando as soluções mais econômicas disponíveis. Como é o caso da sucata, que é utilizada em conjunto com o Lego, para que já exista uma atenção para a importância da reciclagem e reaproveitamento, reforçando nos mesmos as possibilidades de auto-sustento associado com realização pessoal e integração social permitindo aos criadores do robô ter uma infinidade de novas possibilidades em suas criações. A programação do robô é feita em computador e transferida para um microcomputador RCX[1], que atua como cérebro do robô. E assim, os brinquedos ganham vida pelas mãos das crianças. Maurício começa o curso com a história da evolução das Ferramentas. Aos alunos, é constantemente transmitida a necessidade de cooperação e da ética associada à responsabilidade social. Quem participa aprende a fazer robôs, a ver de outra forma tecnologia, futuro profissional e as relações interpessoais, além, é claro, de ganhar um certificado mais um Kit (que contêm brinquedos lego, livros da saraiva, caneta, bola, chaveiro etc.). Um dos robôs que chama a atenção logo de cara é feito inteiro de sucata, suas vestimentas variam de acordo com as festividades mais próximas. O "brinquedo" mexe a boca e acende os olhos, ganha vida e o aprendizado começa. Para o projeto tornar-se realidade, parcerias foram de vital importância. Como a Ecovia, patrocinadora do programa no litoral, além de alguns ferros-velhos que cederam a sucata. Outro parceiro é o Paraná Metrologia. Seu apoio existe para que durante o projeto as crianças aprendem a importância da metrologia tanto na criação de robôs, quanto para a vida, uma vez que a partir da metrologia, são criadas normas que permitem a qualidade e precisão de tudo aquilo que é produzido. Agora, o engenheiro levou o projeto para o litoral paranaense no período de verão. O curso aconteceu gratuitamente em Caiobá pela tarde, com o apoio da Prefeitura de Matinhos, e em Guaratuba no período da noite, com o apoio do Sesi. Com isso, o projeto, pretende incentivar as pessoas a irem mais ao litoral do Paraná. Durante o desenvolvimento do robô, as crianças interagem muito umas com as outras trocando as vivências. Os grupos do litoral já criaram diversos robôs, entre eles o selecionador de lixo, a planta de uma casa, o robô ajudante e o massagista, além da parte escrita, no caso a Gazeta Robótica e o Cyber Gazeta. Quem participa gosta muito do curso, como Lucas Kluthcovsky, de 13 anos, "Muito legal e instrutivo. Aprendemos a aproveitar o que seria lixo para fazer um robô que pode ajudar muita gente". Enrico Fraletti de 12 anos sempre participou, no litoral e em Curitiba. Arthur Hauer, 12 anos, vai fazer o curso em Curitiba também, pois no curso aprendeu muita coisa diferente. "Sempre gostei de Lego e agora estou aprendendo mais". Igor Saiene Macedo Viana e Silva, 11 anos, é nativo de Matinhos. "Gostei de montar os robôs, mistura legal de lego e sucata. É um aprendizado para a união, para fazer amizade". O mais jovem desse grupo, Samuel Kluthcovsky, 9 anos, já até sabe o que vai ser quando crescer: engenheiro de mecatrônica. Para Maurício muitas coisas podem influenciar e até ativar a criatividade dos participantes, por isso se faz valer de alguns desses métodos, como o ambiente adequado, música clássica e cheiros. Ele acredita que o curso pode mostrar para seus participantes como seu futuro profissional pode ser auto-sustento com auto-realização, brincar e criar. Para ele é um prazer enorme fazer o que faz, "cada turma é um novo desafio". Maria Laura Dozza Messagi é da Rede Paranaense de Metrologia e Ensaios - laura@paranametrologia.org.br |
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Manual PEM
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